Era pra ser surpreendente. Ele sabia disso. Mas naquele instante se irritava com os olhares que a fulminavam ao ponto de constrangê-la. Na verdade, ela parecia gostar de todo o assédio. E ele olhava-a com certa apreensão. Alguém a encantará mais que eu? Alguém a seduzirá? Alguém a roubará de mim? Um observador se aproximou. Atendo aos detalhes daquele rosto, foi chegando devarzinho, como se fosse entrar dentro dela.
- Pois não, o senhor precisa de ajuda? Perguntou ligeiro ao intruso.
- O senhor quem é? Indagou-lhe o intruso com ar de autoridade.
- Sou eu quem a criei.
- Interessante.
O que poderia ser interessante? Aliás, não havia palavra mais confusa que essa naquela momento, afinal, interessante nem descrevia tamanha beleza à sua frente, tampouco o poder que detinha sobre a obra de arte.
- O que é interessante? Questionou o criador.
- A perfeição dela. Inspira-me ar de liberdade, de independência feminina, de delicadeza e aspereza, feminilidade e masculinidade reunidas num só sorriso.
- O senhor não entende nada de arte. Isso é essência. Não é forma. Isso é amor. Não é paixão. Com licença, há outros tantos querendo admirá-la. Por favor, não obstrua a visão dos demais... homens?
Sim, um salão repleto de homens atônitos pela bela estátua que desfilava mesmo parada. O ciúme lhe corroía a alma, mas não podia fazer nada, a não ser permitir à estátua seu deslumbramento. Afastou-se para o fundo do salão e, roendo as unhas, viu que todos a desejavam, mesmo sendo desconhecedores de sua representatividade, de seu néctar. Travou o maxilar de ódio e prazer no momento em que percebeu um sorriso nos finos lábios de sua criação um tanto quanto acentuado, inexistente outrora.
- Não, não pode ser...
Mas era. Nenhum daqueles homens queria seduzir sua criação. Era ela quem os seduzia, pondo-os à margem de suas humanidades. Nunca uma criação foi tão verdadeira quanto naquele dia, naqueles tempos.
quarta-feira, 30 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
Id x Ego
- Incrível, não é?
- Ah sei lá... acho que isso acontece todos os dias, mas nós não ficamos sabendo!
- Pode ser, mas mesmo assim não deixa de ser incrível, concorda?
- É... sob esse ponto de vista, é incrível sim! E ela? O que respondeu?
- Que não se lembrava mais quem eu era.
- E você ficou muito magoado?
- Não, já esperava por isso! Acho que o tempo é o senhor tudo mesmo... das fortes lembranças se tornarem fracas ou inexistentes e grandes paixões se tornarem retrato esquecido no fundo do HD.
- Por que diz isso? Você ainda tem fotos dela?
- E quem não guarda momentos inesquecíveis, carapálida?
- Se é inesquecível então não se esquece no fundo do HD. Você não está sendo coerente! Faça o favor de responder direito.
- É inesquecível, ou melhor, foi inesquecível, mas lembrar não significa querer mais...
- E significa o que então?
- Significa lembrar, ora essa... e veja se não faz mais perguntas capciosas.
- Ah... tá vendo como você fica confuso quando o assunto é esse? Cara, só pra morte não tem jeito...
- Ih, lá vem você com esses ditados populares antigos...
- Mas é mesmo... ela está viva e está lá, dê uma chance pra essa história não morrer no HD.
- O que você está falando? Meça seus conselhos antes de os dirigirem a mim... não preciso de um manual de como me suicidar.
- Ora... morrer todos vão algum dia. Então que seja por uma boa causa.
- Não agora... tenho muito a viver... muitos planos a realizar... e estou conseguindo, com tal êxito que nunca imaginei que conseguiria.
- E de que adianta tudo isso sem ela?
- É tudo isso sem ela ou é sem nada disso e sem ela também... porque desta vez eu não vou me enganar.
- Ah... eu não te entendo... enche a boca pra falar de teorias da felicidade, de ética, e não age com ética consigo mesmo... seu estúpido, antiético, cabeçudo!
- Ah, vá para o diabo que te carregue e não me encha mais o saco!
- Ah sei lá... acho que isso acontece todos os dias, mas nós não ficamos sabendo!
- Pode ser, mas mesmo assim não deixa de ser incrível, concorda?
- É... sob esse ponto de vista, é incrível sim! E ela? O que respondeu?
- Que não se lembrava mais quem eu era.
- E você ficou muito magoado?
- Não, já esperava por isso! Acho que o tempo é o senhor tudo mesmo... das fortes lembranças se tornarem fracas ou inexistentes e grandes paixões se tornarem retrato esquecido no fundo do HD.
- Por que diz isso? Você ainda tem fotos dela?
- E quem não guarda momentos inesquecíveis, carapálida?
- Se é inesquecível então não se esquece no fundo do HD. Você não está sendo coerente! Faça o favor de responder direito.
- É inesquecível, ou melhor, foi inesquecível, mas lembrar não significa querer mais...
- E significa o que então?
- Significa lembrar, ora essa... e veja se não faz mais perguntas capciosas.
- Ah... tá vendo como você fica confuso quando o assunto é esse? Cara, só pra morte não tem jeito...
- Ih, lá vem você com esses ditados populares antigos...
- Mas é mesmo... ela está viva e está lá, dê uma chance pra essa história não morrer no HD.
- O que você está falando? Meça seus conselhos antes de os dirigirem a mim... não preciso de um manual de como me suicidar.
- Ora... morrer todos vão algum dia. Então que seja por uma boa causa.
- Não agora... tenho muito a viver... muitos planos a realizar... e estou conseguindo, com tal êxito que nunca imaginei que conseguiria.
- E de que adianta tudo isso sem ela?
- É tudo isso sem ela ou é sem nada disso e sem ela também... porque desta vez eu não vou me enganar.
- Ah... eu não te entendo... enche a boca pra falar de teorias da felicidade, de ética, e não age com ética consigo mesmo... seu estúpido, antiético, cabeçudo!
- Ah, vá para o diabo que te carregue e não me encha mais o saco!
terça-feira, 8 de março de 2011
Eu gosto tanto de carnaval, que...
Eu gosto tanto de carnaval que desligo a TV quando passa vinheta pouco criativa da Globo que expõe a nudez de uma mulher a qualquer hora do dia e da noite;
Eu gosto tanto de carnaval que não sei me irrito mais com o monopólio do assunto noite afora nos canais abertos ou com a interdição da avenida que dá acesso ao meu condomínio para o desfile dos carros pouco alegóricos de Jundiaí.
Eu gosto tanto de carnaval que não consigo me emocionar com as lágrimas dos sambistas e das popozudas que acabaram de desfilar e acreditam que não conseguiram o êxito desejado.
Eu gosto tanto de carnaval que tenho vontade de arrancar o braço para ter o que jogar na TV quando vejo o Ministério da Saúde fazendo campanha para o uso de preservativo nessa época de tal modo que fica evidente ser o carnaval sinônimo de putaria.
Eu gosto tanto de carnaval que não fico surpreso quando vejo as estatísticas de mortes nas estradas devido aos milhares de bebuns irresponsáveis que acham que carnaval é essa merda aí.
Eu gosto tanto de carnaval, mas tanto, que vou parar de escrever sobre carnaval agora antes que eu vomite no teclado! Aff, acabou essa desgraça! Que comece o ano então... pelo menos o dos ignorantes, porque o meu já começo há quase três meses.
Eu gosto tanto de carnaval que não sei me irrito mais com o monopólio do assunto noite afora nos canais abertos ou com a interdição da avenida que dá acesso ao meu condomínio para o desfile dos carros pouco alegóricos de Jundiaí.
Eu gosto tanto de carnaval que não consigo me emocionar com as lágrimas dos sambistas e das popozudas que acabaram de desfilar e acreditam que não conseguiram o êxito desejado.
Eu gosto tanto de carnaval que tenho vontade de arrancar o braço para ter o que jogar na TV quando vejo o Ministério da Saúde fazendo campanha para o uso de preservativo nessa época de tal modo que fica evidente ser o carnaval sinônimo de putaria.
Eu gosto tanto de carnaval que não fico surpreso quando vejo as estatísticas de mortes nas estradas devido aos milhares de bebuns irresponsáveis que acham que carnaval é essa merda aí.
Eu gosto tanto de carnaval, mas tanto, que vou parar de escrever sobre carnaval agora antes que eu vomite no teclado! Aff, acabou essa desgraça! Que comece o ano então... pelo menos o dos ignorantes, porque o meu já começo há quase três meses.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Eis-me em poucas palavras
Eu rio sozinho.
Faço piada com o acaso.
Ouço música alternativa.
Passo horas pensando no futuro.
Dias no passado.
Eu conserto coisas relevantes.
Faço mímica para explicar a alguém.
Cozinho para mim.
Almoço com a minha cachorra.
Toco guitarra pra uma plateia invisível.
Tenho sonhos perturbadores.
Recebo convites inesperados.
Trabalho em casa.
Mando torpedos para amigos.
Evito recair na estupidez.
Não gosto de romã.
Nem de chuva que traz lama.
Estudo o contexto.
Interpreto minha felicidade.
Amo pessoas.
Acaricio quem merece.
Abraço quem se dá a isso.
Arrependo-me por não acolher mais.
Invento histórias.
Relembro a infância.
Adoro cheiro de mulher.
Leio olhos que dizem.
Beijo mais do que o possível.
Como fast food.
Bebo Coca-Cola.
Prefiro Guaraná Antarctica.
Sou apaixonado por suco de maracujá.
Aprendi a tomar o de goiaba.
Durmo o que a consciência permite.
Assisto a trivialidades.
Tenho minhas árvores preferidas.
Meus lugares também.
Estresso-me no trânsito.
Gosto de frio.
Busco justiça.
Eis um pouco de mim.
Simples e complexo.
Como qualquer ser na humanidade que lhe contém.
Faço piada com o acaso.
Ouço música alternativa.
Passo horas pensando no futuro.
Dias no passado.
Eu conserto coisas relevantes.
Faço mímica para explicar a alguém.
Cozinho para mim.
Almoço com a minha cachorra.
Toco guitarra pra uma plateia invisível.
Tenho sonhos perturbadores.
Recebo convites inesperados.
Trabalho em casa.
Mando torpedos para amigos.
Evito recair na estupidez.
Não gosto de romã.
Nem de chuva que traz lama.
Estudo o contexto.
Interpreto minha felicidade.
Amo pessoas.
Acaricio quem merece.
Abraço quem se dá a isso.
Arrependo-me por não acolher mais.
Invento histórias.
Relembro a infância.
Adoro cheiro de mulher.
Leio olhos que dizem.
Beijo mais do que o possível.
Como fast food.
Bebo Coca-Cola.
Prefiro Guaraná Antarctica.
Sou apaixonado por suco de maracujá.
Aprendi a tomar o de goiaba.
Durmo o que a consciência permite.
Assisto a trivialidades.
Tenho minhas árvores preferidas.
Meus lugares também.
Estresso-me no trânsito.
Gosto de frio.
Busco justiça.
Eis um pouco de mim.
Simples e complexo.
Como qualquer ser na humanidade que lhe contém.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Quando as manias se revelam
Eu tenho manias.
E quem não as tem?
Tenho uma que é fazer paródias de músicas que estão irritantemente sendo tocadas nos meios de comunicação de massa. Aliás, odeio meios de comunicação de massa, assim como essas músicas.
Mas o fato é que não há como ficar imune a eles.
E de tanto ouvir mesmo que sem querer uma dessas músicas, a gente acaba incorporando-as na cabeça.
Pra escapar disso, tenho a mania de exorcizá-las criando paródias com suas melodias.
Não sei se tem algo a ver, mas o engraçado é que toda paródia que faço, ali de improviso, eu sempre começo com a palavra "quando".
Mas o que isso tem de especial?`
Pra mim, não passa de uma falta de criatividade e uma palavra chave que me abre caminho para outras.
Mas pra minha psicóloga... ah eu tenho certeza que pra ela essa palavra tem um outro significado.
"Quando é o que ainda não veio, mas pode vir, ou você acredita que venha", dirá ela sem pudor algum de me pôr na parede.
"Mas o quê será que eu devo estar esperando?", direi eu com cara de bobo, apesar de saber a resposta.
"O que você espera que aconteça?", indagará ela com um sorriso no canto dos olhos, como se não quisesse me inquirir, embora já o estivesse fazendo.
"Não sei, juro que não sei... um filho?", arriscarei como quem lança mão do óbvio para tentar pôr a peneira onde sabe que não deve.
"E quando virá esse filho? E o pai? Será que vem junto?", satirizará a conversa procurando me fazer confessar.
"O problema não é o pai...", desabafarei com os olhos marejados e pronto pra acabar a sessão.
No carro, ao invés de ligar a frequência modulada para cantar o quando, eu ouvirei Los Hermanos, ligarei a seta e arrancarei a favor do vento cantando:
"Veja você... onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria um amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso por favor...
Esse é so o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho
Prepara uma avenida
Que a gente vai passar..."
****************************************
Los Hermanos - Conversa de Botas Batidas
E quem não as tem?
Tenho uma que é fazer paródias de músicas que estão irritantemente sendo tocadas nos meios de comunicação de massa. Aliás, odeio meios de comunicação de massa, assim como essas músicas.
Mas o fato é que não há como ficar imune a eles.
E de tanto ouvir mesmo que sem querer uma dessas músicas, a gente acaba incorporando-as na cabeça.
Pra escapar disso, tenho a mania de exorcizá-las criando paródias com suas melodias.
Não sei se tem algo a ver, mas o engraçado é que toda paródia que faço, ali de improviso, eu sempre começo com a palavra "quando".
Mas o que isso tem de especial?`
Pra mim, não passa de uma falta de criatividade e uma palavra chave que me abre caminho para outras.
Mas pra minha psicóloga... ah eu tenho certeza que pra ela essa palavra tem um outro significado.
"Quando é o que ainda não veio, mas pode vir, ou você acredita que venha", dirá ela sem pudor algum de me pôr na parede.
"Mas o quê será que eu devo estar esperando?", direi eu com cara de bobo, apesar de saber a resposta.
"O que você espera que aconteça?", indagará ela com um sorriso no canto dos olhos, como se não quisesse me inquirir, embora já o estivesse fazendo.
"Não sei, juro que não sei... um filho?", arriscarei como quem lança mão do óbvio para tentar pôr a peneira onde sabe que não deve.
"E quando virá esse filho? E o pai? Será que vem junto?", satirizará a conversa procurando me fazer confessar.
"O problema não é o pai...", desabafarei com os olhos marejados e pronto pra acabar a sessão.
No carro, ao invés de ligar a frequência modulada para cantar o quando, eu ouvirei Los Hermanos, ligarei a seta e arrancarei a favor do vento cantando:
"Veja você... onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria um amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso por favor...
Esse é so o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho
Prepara uma avenida
Que a gente vai passar..."
****************************************
Los Hermanos - Conversa de Botas Batidas
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Terminou a m... do horário de verão!
O Operador Nacional do Sistema informa: acabou a M***** do horário de verão!
Acerte seu relógio de pulso e o seu relógio biológico.
No período em que ficou vigente, estima-se que houve uma economia de R$ 30 milhões.
Ou seja, graças ao nosso sacrifício, o país economizou R$ 30 milhões.
Bom... se dividirmos o montante por 190 milhões, 732 mil, 694 pessoas, que é a atual população brasileira, segundo o último censo do IBGE (2010), todo esse esforço não renderá mais que R$ 0,15 por brasileiro.
Assim sendo... tenho uma sugestão para o próximo horário de verão: ao invés de arrebentarmos nosso organismo levantando uma hora mais cedo, cada brasileiro se comprometerá a reduzir R$ 0,20 de sua conta de energia. Dessa forma, basta cada brasileiro reduzir R$ 0,05 por mês (quatro meses de horário de verão), que nada mais é que deixar uma lâmpada de 60w, que normalmente ficaria acesa, desligada por 12 horas a mais que o normal ao longo de um mês, para gerarmos uma economia de mais de R$ 38 milhões, e o que é melhor, uma economia para nós mesmos e não para o Operador do Sistema...
O que acham? Loucura? Ou racionalidade? Nossos governantes não resolvem o problema porque não têm vontade. E porque é mais fácil fazer o boia-fria, o vigia, o pedreiro, o trocador de ônibus, o ajudante geral, o açougueiro e todos aqueles que necessitam acordar cedo, sofrer por quatro meses. E o povo sofre. E sofre calado, o que é mais triste de se ver!
Acerte seu relógio de pulso e o seu relógio biológico.
No período em que ficou vigente, estima-se que houve uma economia de R$ 30 milhões.
Ou seja, graças ao nosso sacrifício, o país economizou R$ 30 milhões.
Bom... se dividirmos o montante por 190 milhões, 732 mil, 694 pessoas, que é a atual população brasileira, segundo o último censo do IBGE (2010), todo esse esforço não renderá mais que R$ 0,15 por brasileiro.
Assim sendo... tenho uma sugestão para o próximo horário de verão: ao invés de arrebentarmos nosso organismo levantando uma hora mais cedo, cada brasileiro se comprometerá a reduzir R$ 0,20 de sua conta de energia. Dessa forma, basta cada brasileiro reduzir R$ 0,05 por mês (quatro meses de horário de verão), que nada mais é que deixar uma lâmpada de 60w, que normalmente ficaria acesa, desligada por 12 horas a mais que o normal ao longo de um mês, para gerarmos uma economia de mais de R$ 38 milhões, e o que é melhor, uma economia para nós mesmos e não para o Operador do Sistema...
O que acham? Loucura? Ou racionalidade? Nossos governantes não resolvem o problema porque não têm vontade. E porque é mais fácil fazer o boia-fria, o vigia, o pedreiro, o trocador de ônibus, o ajudante geral, o açougueiro e todos aqueles que necessitam acordar cedo, sofrer por quatro meses. E o povo sofre. E sofre calado, o que é mais triste de se ver!
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Orquestra emocional
O coração não é o que mais sofre. Ele pode até levar a fama, mas todos se esquecem dos coadjuvantes. O que dizer dos dedos, que se retorcem e se estralam e se arrebentam numa sangria desatada de materializar a angústia? O coração acelera e são os dedos que aguentam o tranco. Lutam uns com os outros para saciar a loucura sem ter que ficar louco.
O pulmão é outra vítima renegada a segundo plano. O coração palpita, enche a corrente sanguínea de adrenalina e é o pulmão quem tem que assoprar depois da porrada hormonal que sofremos. Abre e fecha, ar e gás carbônico, e assim prossegue a vida, como uma caixinha encolhida, que ora se solta e relaxa, ora se prende e contrai, como num ataque-defesa. E é o pulmão quem deve trazer o alívio para as horas mais quentes.
Os dentes... esses já têm destaque há algum tempo, nem sei se vale a pena narrá-los, mas como loucos que são, trincariam-se caso não entrassem na história. Do mesmo jeito, batem-se e debatem-se e rangem-se desesperadamente. São como os dedos: passionais demais... e influenciáveis. Tudo é violência para eles. Bastou o coração disparar a ordem para eles logo aterrorizarem ainda mais a cena.
Já as pupilas são um espetáculo à parte. Têm o poder de metamorfozearem-se, dilatando-se ou comprimindo-se, às vezes banhando-se e avermelhando-se. São trágicas. Aliás, as mais trágicas. Encenam bem a verdade, embora possam dar-se também à falsidade. Pudera, a vista que lhes é concedida, capaz de comover até órgãos escondidos como o coração, é de arrasar. São as meninas dos olhos, mas tem muito menino que chora também.
E essa orquestra, que bem poderíamos ficar horas completas descrevendo, com mais e mais coadjuvantes-protagonistas, funciona para comover a boca. Para dar aquele empurrãozinho e a fazer falar ou para fazê-la calar dependendo da ocasião. O fato é que quando você se aproxima, todos sabem o que fazer para prolongar o ato: tornar inesquecível o momento frente a sua presença.
O pulmão é outra vítima renegada a segundo plano. O coração palpita, enche a corrente sanguínea de adrenalina e é o pulmão quem tem que assoprar depois da porrada hormonal que sofremos. Abre e fecha, ar e gás carbônico, e assim prossegue a vida, como uma caixinha encolhida, que ora se solta e relaxa, ora se prende e contrai, como num ataque-defesa. E é o pulmão quem deve trazer o alívio para as horas mais quentes.
Os dentes... esses já têm destaque há algum tempo, nem sei se vale a pena narrá-los, mas como loucos que são, trincariam-se caso não entrassem na história. Do mesmo jeito, batem-se e debatem-se e rangem-se desesperadamente. São como os dedos: passionais demais... e influenciáveis. Tudo é violência para eles. Bastou o coração disparar a ordem para eles logo aterrorizarem ainda mais a cena.
Já as pupilas são um espetáculo à parte. Têm o poder de metamorfozearem-se, dilatando-se ou comprimindo-se, às vezes banhando-se e avermelhando-se. São trágicas. Aliás, as mais trágicas. Encenam bem a verdade, embora possam dar-se também à falsidade. Pudera, a vista que lhes é concedida, capaz de comover até órgãos escondidos como o coração, é de arrasar. São as meninas dos olhos, mas tem muito menino que chora também.
E essa orquestra, que bem poderíamos ficar horas completas descrevendo, com mais e mais coadjuvantes-protagonistas, funciona para comover a boca. Para dar aquele empurrãozinho e a fazer falar ou para fazê-la calar dependendo da ocasião. O fato é que quando você se aproxima, todos sabem o que fazer para prolongar o ato: tornar inesquecível o momento frente a sua presença.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Modernidades e contemporaneidades
Porque Deus fez assim é que o mundo é assim.
E por que Deus não escolheu outro layout, pai?
Que layout, moleque?
Esse céu azul, com nuvens brancas, montanhas verdes e sol amarelo...
Isso não é layout... isso é a natureza.
É... na sua época vocês falavam natureza. Pra gente é o layout da página, tá ligado?
Ok.
Ok significa que você tá ligado?
Sim.
O que significa sim?
Puta merda, moleque! Você fala português ou não?
Pô, até falo essa coisa aí, mas é mó loko não falar e mandar um papo mais às pampa, né não, véi?
Ô Judite... olha esse seu filho com apenas 10 anos de idade falando como um marginal... é melhor você pô-lo de castigo sem ver televisão.
Ih demorô, mano... nem tô a fim de ver televisão... vou ficar no msn
Agenor, estou regando a jardineira... o que você queria que me chamou?
Jardineira? Pô Judite... tem que se atualizar, se não o Agenorzinho te dá a volta fácil fácil.
Ele que espere pra ver...
E por que Deus não escolheu outro layout, pai?
Que layout, moleque?
Esse céu azul, com nuvens brancas, montanhas verdes e sol amarelo...
Isso não é layout... isso é a natureza.
É... na sua época vocês falavam natureza. Pra gente é o layout da página, tá ligado?
Ok.
Ok significa que você tá ligado?
Sim.
O que significa sim?
Puta merda, moleque! Você fala português ou não?
Pô, até falo essa coisa aí, mas é mó loko não falar e mandar um papo mais às pampa, né não, véi?
Ô Judite... olha esse seu filho com apenas 10 anos de idade falando como um marginal... é melhor você pô-lo de castigo sem ver televisão.
Ih demorô, mano... nem tô a fim de ver televisão... vou ficar no msn
Agenor, estou regando a jardineira... o que você queria que me chamou?
Jardineira? Pô Judite... tem que se atualizar, se não o Agenorzinho te dá a volta fácil fácil.
Ele que espere pra ver...
sábado, 29 de janeiro de 2011
Post suado esse!
Calor... nada pra assistir... nada pra fazer no computador... nos planos de última hora, uma garrafa d´água gelada que me espera na geladeira, no andar de baixo, e umas tecladas e backspaçadas com uma tia que se encontra em Praia Grande (lotada, diga-se de passagem, pois o povo só pensa em praia no verão) e que está com insônia por causa do calor.
Sábado tem se tornado irresistivelmente entediante com tanto mormaço e chuvas estrondosas no início da noite. E por falta do que fazer, quem sofre é o blog. E é bom esclarecer que falta do que fazer nada tem a ver com ócio. Ócio é criativo, já disse sabiamente Domênico de Masi. Não ter o que fazer é revoltante. A semana inteira você passa pelo sufoco de ter que dar conta do trabalho e da sua vida social, pensando apenas no dia em que você poderá dar sequência naquele projeto esquecido na gaveta ou naquela pasta que você já nem sabe em diretório de que HD ficou e quando finalmente o final de semana chega você se depara com o "nada pra fazer". É de cagar mesmo (com o perdão da palavra)! Aposto que a segunda-feira vai trazer todo o ânimo e a refrescância necessária para que a minha criatividade volte a clamar pelo próximo ócio.
Mas, como diria uma velha amiga, se só tem "nada pra fazer" que fiquemos fazendo o nada, que já é melhor do que ter que fazer tudo!
Um abraço a distância a todos, já que o calor nos transformou em animais grudentos de tanto suor!
Sábado tem se tornado irresistivelmente entediante com tanto mormaço e chuvas estrondosas no início da noite. E por falta do que fazer, quem sofre é o blog. E é bom esclarecer que falta do que fazer nada tem a ver com ócio. Ócio é criativo, já disse sabiamente Domênico de Masi. Não ter o que fazer é revoltante. A semana inteira você passa pelo sufoco de ter que dar conta do trabalho e da sua vida social, pensando apenas no dia em que você poderá dar sequência naquele projeto esquecido na gaveta ou naquela pasta que você já nem sabe em diretório de que HD ficou e quando finalmente o final de semana chega você se depara com o "nada pra fazer". É de cagar mesmo (com o perdão da palavra)! Aposto que a segunda-feira vai trazer todo o ânimo e a refrescância necessária para que a minha criatividade volte a clamar pelo próximo ócio.
Mas, como diria uma velha amiga, se só tem "nada pra fazer" que fiquemos fazendo o nada, que já é melhor do que ter que fazer tudo!
Um abraço a distância a todos, já que o calor nos transformou em animais grudentos de tanto suor!
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Palavras de dentro
É... eu sei que você não pensa mais em mim.
Também não penso mais tanto em você.
Mas a vida segue.
Infelizmente segue.
E o que se há de fazer se somos caixas repletas de memórias?
É... eu sei que a vida é presente, que o ontem e o amanhã não existem.
Mas cá entre nós, há um elo especial entre essas três dimensões.
Que une passado e futuro e cria um presente.
É por isso que você ainda vive em mim.
O melhor de tudo é poder lembrar.
O pior de tudo é poder lembrar.
A falta é o que mais dói.
E a maior dor é poder lembrar.
E a maior alegria é poder lembrar.
Ter consciência.
É... eu sei que tudo soa piegas.
Essa é a natureza do passado.
Mas no fundinho do coração, quem não é piegas?
Os anos acumulam-se no lado de dentro da íris.
Num filminho de eterna reprise a ser projetado nas paredes do meu eu.
O protagonista não sou mais eu.
Mas ainda assim, teimo em assisti-lo.
Também não penso mais tanto em você.
Mas a vida segue.
Infelizmente segue.
E o que se há de fazer se somos caixas repletas de memórias?
É... eu sei que a vida é presente, que o ontem e o amanhã não existem.
Mas cá entre nós, há um elo especial entre essas três dimensões.
Que une passado e futuro e cria um presente.
É por isso que você ainda vive em mim.
O melhor de tudo é poder lembrar.
O pior de tudo é poder lembrar.
A falta é o que mais dói.
E a maior dor é poder lembrar.
E a maior alegria é poder lembrar.
Ter consciência.
É... eu sei que tudo soa piegas.
Essa é a natureza do passado.
Mas no fundinho do coração, quem não é piegas?
Os anos acumulam-se no lado de dentro da íris.
Num filminho de eterna reprise a ser projetado nas paredes do meu eu.
O protagonista não sou mais eu.
Mas ainda assim, teimo em assisti-lo.
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