terça-feira, 28 de agosto de 2012

Sonhando...

Sensação indescritível é a de sonhar com alguém que se gosta. A noite inteira. E acordar com saudades. Conceitua a psicologia, dentre outras teorias, que o sonho é a miscelânea que o cérebro nos proporciona de sensações, experiências e desejos, para nos suprir a carência. Eu fico apenas com o fato de sonhar, que por si só é compensador. Voltar a ver quem se quer bem ou quem se quis bem, falar e fazer o que outrora não se permitiu ousar é maravilhoso.
Sonho, a bem da verdade, pelo menos umas três vezes por semana. E após todos eles, o que fica é sempre a saudade. Talvez esteja aí a razão de tanto sonhá-los: revivê-los de forma intensa e única, a cada vez que tenho a oportunidade. E no abrir de olhos, a esperança de ter sido mais que um sonho, uma premonição, talvez uma ponte com o outro lado... eis nossos desejos mortais de imortalidade... eis a realidade emergindo com o despertador!

domingo, 5 de agosto de 2012

E: aditivo de sensações

E as aulas voltaram. E o sacrifício por boas notas também. E o acordar cedo e dormir tarde. E a estranha vontade de desistir e persistir. E os longos degraus da porta da faculdade. E os dias de preocupação com as provas que chegam. E a escassez de tempo para qualquer outra coisa que não a rotina. E os amigos clamando por ajuda. E a impossibilidade de poder se ajudar, quanto mais os amigos. E a esperança de que tudo dê certo no final das contas, ou melhor, no final do semestre. E a auto-promessa de lutar só mais um round, como Rocky Balboa, antes de jogar a toalha. E a mudança de planos no caminhar das férias. E o desejo de saber mais e mais. E o conforto da conversa com os amigos na cantina. E a vontade de chegar até o fim junto deles, pegar o canudo e arremassar o mais alto que conseguir o capelo. E o que virá a seguir?

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Idealista

Às vezes me pego pensando em tudo o que sonhei para mim. Tantas coisas eu queria ser... queria ter sido... mas a vida me levou para outros lados. Uma ironia, especialmente para mim, que sempre planejei passos, conquistas. Acabei decepcionado com tantos sonhos que não passaram da minha cabeça. É pena ter que abrir mão do que um dia se sonhou, dói no fundo do ego, um ego que fica machucado e que tem medo de voltar a se inflar como antes. Uma amiga, certa vez, me falou que o segredo é saber conviver com as perdas. Na ocasião, a filosofia tinha ar de sentimentos, de paixões perdidas, de sonhos desfeitos, diferentemente de hoje, que utilizo a frase para me convencer a viver com o que conquistei, com o indesejado, implanejado e aí tenho que dar toda razão para essa amiga... é realmente um segredo saber aceitar a realidade. É tão mais fácil reclamar do que não se conseguiu... pôr a culpa nisso ou naquilo, em pessoas, situações... é irresistível procurar um culpado, mesmo que esse culpado seja você.
Difícil mesmo é aceitar que não há culpados, muito menos sinas, destinos, planos de Deus para cada ser. Todo resultado tem uma causa, um porquê, o erro está em acreditar em causas sobrenaturais. Estamos vivos e dispostos como peças de xadrez, à mercê de infinitas jogadas, combinações, num jogo quase impossível de se prever onde um movimento seu hoje vai te levar daqui a algumas dezenas de outros. Somos incapazes de prever a vitória ou a derrota a partir de uma jogada. Esse é o jogo da vida, caprichosamente criado pela força maior, Deus. Vitórias e derrotas fazem parte do tabuleiro e precisam ser encaradas como se igual fossem, e acho que até somos capazes disso, mas o que ainda não aprendi, é ser feliz com o não planejado, seja ele a vitória ou a derrota.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

No meio do caminho...

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma paixão
tinha uma paixão no meio do caminho
tinha uma paixão
no meio do caminho tinha uma paixão.

Nunca me esquecerei dessa paixão
na vida de minhas retinas tão entusiasmadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma paixão
tinha uma paixão no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma paixão
que não resistiu
e que sucumbiu diante de um verdadeiro amor.

[Paráfrase do poema "No meio do caminho" de Carlos Drummond de Andrade]

quarta-feira, 16 de maio de 2012

E quem será o próximo a desejar?

Sensacional...

***


A mulher do próximo (Sérgio Kohan)


'Não desejarás a mulher do próximo'.
E a mulher do próximo pode me desejar?
E se desejo o próximo ou se ele me deseja?
E se o próximo não deseja a mulher dele?
E se a mulher do próximo não deseja a ele?
E se os três nos desejamos?
E se ninguém deseja ninguém?
E se minha mulher deseja a mulher do próximo?
E por que não o próximo?
E se o próximo deseja minha mulher?
E se eu desejo a minha mulher e a do próximo?
E se ambas me desejam?
E se todos nos desejamos?
Sempre aparecerá alguém para dizer:
'Vamos parar por aí, pára por aí
Não desejarás, não desejarás e ponto final' ".


***


Ah... a mulher do próximo!
E se não fosse ela a mulher do próximo?

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Inexemplo

Passei por aqui.
Não me detive.
Segui.
Mas não me sigam.
Quero ser o inexemplo para poucos.
Deito o dedo nas teclas de meu computador e alma escorre.
Inexemplos de bytes.
Deleito-me.
E deleto-me.

sábado, 21 de abril de 2012

Maresia de água doce

Chuva.
Frio.
Vento.
Úmido.
Chuva que enche o rio.
Que me torna lento.
E único.
Comigo mesmo.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Amar, verbo intransigente.

- E então?
- Então o quê?
- Como é que ficamos?
- Ficamos do jeito que sempre estivemos.
- Mas você não tem nada pra me dizer? Acabei de declarar todo o meu amor por você...
- Declarou porque quis. Eu não te pedi nada.
- Mas... Maria.
- Esse é o meu nome.
- Eu te amo.
- Ok.
- Ok? É isso o que tem pra dizer?
- É o que me vem à mente no momento.
- Putz... O que você sente por mim?
- No momento, nada. Mas já senti raiva de você, desprezo, pena... ah e também...
- Também...
- Respeito.
- Preferia o seu ódio.
- Afinal de contas, você quer o quê de mim?
- Quero saber se tenho chances?
- Chances de quê?
- De ter o seu amor.
- De novo o tal do amor?
- Sim... quantas vezes forem necessárias para você entender o quanto eu te amo.
- Mas eu já entendi.
- E então?
- Então o quê?
- Como é que ficamos?
- Ora, ficamos como sempre estivemos, eu já te disse há algumas linhas acima.
- Você também me ama?
- Não...
- Não?
- ... sei.
- Sabe o quê?
- Não sei. Como é que se ama?
- Quando sentimos uma vontade imensa de ficarmos ao lado de outra pessoa pra sempre.
- Mas pra sempre é muito tempo. Não pode ser por algumas horas?
- Você está brincando comigo, Maria?
- Eu não. Estou apenas sendo racional. Você fica falando coisas sem sentido.
- Eu quero ficar ao seu lado. Você quer ficar do meu lado também?
- Pode ser. Mas não pra sempre, ok?
- Olha só... pensei que você gostasse de mim, mas pelo jeito... pra mim não dá. Esquece o que eu te disse. Vou seguir minha vida. Até um dia.
- Até.
- E antes que eu me esqueça... vá pro inferno!
- E isso porque ele disse que me amava. Êta coisinha complicada essa.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Imagem é tudo!

Sentado à espera de um amigo que chegaria a alguns instantes na rodoviária de Bauru. Um mendigo se aproxima. Finjo que não o vejo, a exemplo de todos os demais que já haviam recebido sua visita há instantes.
- Psiu - chama o mendigo.
Faço-me de morto. Não adianta.
- Psiu - insiste a figura subumana.
Viro a cabeça muito a contragosto, querendo acreditar que ele me pedirá as horas. Ilusão.
- Pois não?
O homem me olha. Sequer balbucia palavra. Ao invés disso, esfrega o indicador no dedo polegar direito, fazendo o sinal internacional de dinheiro. É incrível como algumas coisas não mudam em lugar algum do mundo. Naquele instante, todos que observavam a cena e que, possivelmente, seriam as próximas vítimas do mendigo, se levantam e se retiram, evitando o futuro constrangimento.
- Fala! - exijo. Ah, só me faltava essa, penso. Ser compelido a dar dinheiro por mímica. O mínimo que ele vai ter que fazer é pedir.
Nada. O homem continua a esfregar os dedos e a demonstrar, à medida em que não dou o dinheiro, certa impaciência, como se eu o estivesse atrapalhando em sua tarefa diária.
- O que o senhor quer? - insisto.
O esfrega-esfrega intensifica. Reparo um arroz grudado no beiço do sujeito. Putz, que nojo!
- O senhor quer dinheiro?
- É... - responde insatisfeito e com força insuficiente para terminar a sílaba.
- Não tenho.
O mendigo continua em pé. Insiste nos dedos, auxiliados agora com as "pestanas" que vão de cima a baixo como quem diz: escorrega essa grana do seu bolso pro meu.
- Vou dar um conselho pro senhor... tira esse arroz do beiço antes de pedir alguma coisa.
Ele para os dedos. Fita-me dos pés à cabeça.
- Sério, tio! O senhor tá feio na fita com esse arroz na boca. Ou o senhor engole esse arroz ou cospe. Desse jeito, ninguém vai querer papo com o senhor, vai por mim!
O homem descola o grão do beiço com os dedos imundos, olha-o e, sem pensar duas vezes, manda para a garganta o pequeno cereal, voltando a esfregar os dedos e a arquear as sobrancelhas em minha direção.
- Ah, agora tá melhor! Aposto que ninguém tinha dado nada pro senhor até agora, tinha?
O mendigo confirma que não com a cabeça.
- Tá vendo? Aposto que as pessoas vão olhar pro senhor com uma cara bem melhor, daqui por diante. E, com certeza, as gorjetas vão melhorar!
Observo meu amigo descendo do ônibus, ao passo em que o mendigo volta a esfregar os dedos esperando um troco.
- Mas eu não tenho nada mesmo! Boa sorte! Tchau!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Pensar é preciso... viver já é questão de estilo!

Deixe-se levar, apenas por um minuto que seja. Será tão bom, que a brevidade desse minuto se perpetuará na sua pele, na sua boca, num arrepio colossal. Não perca a chance de viver, nunca! Faça questão de se sentir vivo de vez em quando, mas faça-se de morto quando necessitar, fique quieto num canto esperando a friagem passar. Ela sempre passa, não se preocupe!

Não há feridas insanáveis! Nem as que se escondem por dentro da camisa. São essas, aliás, as que mais se deixam curar, basta apenas vontade de viver. Perca-se no labirinto das dúvidas. Melhor salão não há! Vá por mim... encontre-se somente quando sentir satisfação, ou no pior das hipóteses, uma resposta convincente. Se bem que não há respostas convincentes, ou elas te convencem ou não, mas trazer em si o convencimento é acreditar em tudo!

Abra os braços sempre e espere o universo te trazer coisas boas, mas dê uns passinhos adiante ao invés de permanecer no mesmo ponto, mostre pressa ao universo e não o deixe se acomodar! A vida é um caminho sem parada certa, precisa, então aproveite para deixar por esse caminho as malas que você não deseja carregar ou aquela que te é inútil. Lembre-se sempre que você é uma gaveta e o universo um obcecado por preencher espaços. Seja seletivo e carregue consigo apenas coisas boas, reservando lugar para outras novas, que virão mais rápido do que você imagina.

Surpreenda-se e surpreenda. Seja criativo ao viver. Faça duas coisas idênticas de modos distintos. Você verá que o prazer de encontrar um novo jeito já valerá, por si só, o esforço. Quando esperarem de você risos, chore; Quando a expectativa for pelas lágrimas, ria, haja com pouca previsão, torne sua vida inesquecível, se não para outros, pelo menos para você!

Mas não deixe de sorrir mais e chorar menos. Também não deixe de esmurrar uma mesa quando se sentir pequeno diante de seus obstáculos. Muitas vezes, a dor na mão te faz crescer e entender que era apenas o seu ponto de vista que se encontrava equivocado em relação ao mundo e que você sempre é maior quando quer. E, por favor, aproveite o dia para aprender, afinal, estamos aqui para isso. Não ignore essa sua capacidade tão divina. Esteja certo que ela te aproximará mais do Criador do que qualquer fórmula mágica!